corpos fatiados na cidade assintomática
2020, publicação digital, edição do artista, 210 x 297 mm, 79 páginas

Corpos fatiados na cidade assintomática é uma montagem sobre fotografias fatiadas. Surgida na pandemia coronavirus covid-19, num infindável e complexo ano de 2020, a montagem consiste em colagens de fotografias fatiadas numa modulação constante e marcadamente vertical. As fotos destoam entre si mas se fundem gerando imagens de lugares outros, misturando o público e o privado, o natural e o construído, a leveza e o peso, o cheio e o vazio. Há na montagem fatiada uma simulação da modulação a que nossos corpos foram forçados a adotar: o protocolo de segurança o qual aponta a medida de 1,50m como distanciamento social. Afetado por essa modulação, o caminhar pela cidade foi contagiado por fatiamentos diversos. Experimenta-se, assim, um limiar entre o módulo e o que é modulado, fragmentando a apreensão acerca da cidade e suas relações. No processo de montagem, Rodrigo Gonçalves vasculhou, durante seu confinamento frente à pandemia, caixas de velhas fotografias de seu pai, o fotógrafo Gilberto Gonçalves, e as utilizou recortando-as e misturando-as a outras fotos recortadas de revistas e colecionadas ao longo dos anos. Como maneira de processar os afetos de se ficar confinado em casa surge uma escrita-imagem-montagem organizada numa publicação experimental.